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Febre Amarela: vacinar ou não?

01 FEV, 2018 Autor: José Roberto Abramo
Febre Amarela: vacinar ou não? (01/02/2018)

 José Roberto Abramo (em resumo de pesquisa para o link saber.com.br) - Publicado no dia 01/02/18


A sociedade Global padece neste século XXI e já desde fim do Século XX, de fluxos que se expressam pela grande conectividade, deslocamento de capitais, pessoas, culturas, informações pessoais, até à devassa, e principalmente de mercadorias.

Acresce a isto o desmatamento e erosão das fronteiras entre a zona rural e presença de grandes contingentes populacionais não imunizados. Tudo isto favorece um ambiente para o recrudescimento de epidemias como a da Febre Amarela.

A Febre Amarela tem desde 1930 uma vacina eficiente e isto a manteve restrita a regiões endêmicas como calhas dos rios Amazonas e Orinoco (regiões de florestas) ou Centro-Oeste de nosso país. (idem – matas).  Porém, houve a eclosão de endemias dos dois lados do Atlântico (África/Ásia e América do Sul e Central) trouxe a Febre Amarela ao debate internacional.

Febre Amarela em Circuito Urbano

O último caso de Febre Amarela “urbana” no Brasil ocorreu em 1942, ou seja, a cerca de 70 anos.

A Febre Amarela no Brasil começou no século XXVII com a vinda de navios da África – o tráfico de Escravos. A Capital da República – a cidade do Rio de Janeiro e o litoral brasileiro foram sobremaneira afetados. Durante três séculos assolou nosso território até às campanhas de erradicação de Oswaldo Cruz. A erradicação a que se refere foi do mosquito Aedes aegypti, que é o único vetor que transmite a Febre Amarela em circuito urbano.

O mosquito Aedes aegypti que veio da África, conforme o dissemos, foi exterminado em solo pátrio. Mas o vírus não. O vírus sumiu das cidades, e sobreviveu nas florestas. Porque conseguiu se adaptar a dois mosquitos silvestres - o Haemagogus e o Sabethes uma vez que estes vetores se alimentam do sangue dos macacos. Porém, na década de 1970 do século passado o Aedes aegypti reapareceu. Mas não o africano e sim o asiático, que aportou por aqui através dos navios de cargas. E não tivemos Febre Amarela em circuito urbano, apesar do ressurgimento do pretenso vetor. O Aedes aegypti asiático tem baixa capacidade de transmissão da Febre Amarela. Motivo pelo qual uma vacinação agora pode evitar o risco de que a silvestre se transforme em urbana. Porque não sabemos se o asiático pode vir a ser transmissor, ou seja, ser o vetor – e esta possibilidade existe, é claro.

Panorama Nacional

Dados da Secretaria de Saúde de Minas Gerais afirmam que cerca de 25 pessoas morreram em Minas Gerais em decorrência da febre amarela entre julho de 2017 e 24 de janeiro. Temos em torno de 22 pessoas com a doença internadas ou que já receberam alta. Suspeita-se que oitenta e sete outros casos que aguardam os resultados. Tem-se mais 12 mortes também investigadas.

No estado do Rio de Janeiro, já foram confirmados 25 casos de febre amarela com 8 mortes. Em São Paulo aponta de janeiro de 2017 até agora foram registradas 36 mortes por febre amarela. Em suma foram 81 casos confirmados de contágio da doença. A vacinação foi intensificada.

Um dado importante do estudo da Fundação Getúlio Vargas diz-nos que o poder público errou ao dar prioridade a áreas de grande concentração populacional em vez de áreas rurais. Porque a transmissão nas cidades, que estaria por conta do Aedes aegypti é pouco provável, ainda. Aumenta a probabilidade se a doença virar endemia nas áreas rurais, fronteiras com áreas urbanas. Logo, a prioridade são as áreas rurais.

O coordenador da área de Controle de Doenças da Secretaria de Saúde de São Paulo, Marcos Boulos nos diz que “O primeiro caso de febre amarela foi em abril de 2016, quando percebemos que o vírus passou para os macacos e eles começaram a morrer com a doença. Traçamos um caminho e vimos que ele começou a se aproximar dos centros urbanos. Então, começamos a vacinar", afirmou.

Panorama em Minas Gerais e em Nossa Região de Juiz de Fora

O governo de Minas Gerais ampliou de três para cinco as regionais do estado classificadas como áreas em situação de emergência por Febre Amarela.  Assim passa de 94 para 162 o número de municípios descritos como afetados. As cidades dos perímetros de Barbacena e Juiz de Fora são agora consideradas áreas em situação de emergência.

Segundo o mais recente boletim epidemiológico os municípios de Goianá e Mar da Espanha, que integram a regional de Juiz de Fora, registraram dois óbitos, Juiz de Fora tem uma internação notificada. Na regional de Barbacena, a cidade de Piranga teve um paciente internado.

De julho de 2017 até o início deste ano (2018), 47 diagnósticos foram confirmados e outros 99 casos continuam sendo investigados. Descartados estão mesmo 52 casos suspeitos no período.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, a cobertura vacinal está, neste momento, no entorno de 82%.

Em Minas Gerais, não há fracionamento da vacina.

A Vacina Fracionada

É uma estratégia emergencial respaldada pela OMS. Mas, entre a população ainda tem-se muitas dúvidas. A vacina integral imuniza por toda avida, embora no passado se considerasse a hipótese de que 10 anos após deveria haver reforço se necessário.

“Nos próximos meses, a população de municípios de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, escolhidos pelos governos estaduais, vai receber a dose fracionada da vacina, por decisão do Ministério da Saúde” (Governo Brasileiro – Ministério da Saúde).

Estudos mostraram que a proteção da dose fracionada, de 0,1 ml, é a mesma da dose padrão, de 0,5 ml. Com a diferença de que a primeira (fracionada) protege a pessoa por até oito anos, e a segunda (integral), pela vida toda.

Garantia

“A garantia é dada diretamente pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Biomanguinhos/Fiocruz), única instituição autorizada a fabricar e distribuir doses fracionadas”.

Quem não deve tomar a vacina?

Menores de nove meses de idade, gestantes (fora da área de risco), mães amamentando crianças com até seis meses de idade, pessoas em tratamento de câncer, lúpus ou outras doenças que diminuem a imunidade (Lupus, HIV).

“Também não deve ser imunizado quem já teve reação grave à vacina da febre amarela, assim como pessoas que sofreram problemas graves (reação anafilática) devido a componentes de outras vacinas que incluam ovo de galinha ou gelatina bovina”, aponta Ícaro Boszczowski, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo

Parágrafo Retirado integralmente de: www.vivabem.uol.com.br

Também não devem tomar a vacina da Febre Amarela pessoas em tratamento quimioterápico, radioterápico, com doença hematológica, renais e hepáticas, ou que foi submetida a transplante de células-tronco.

Os Macacos

Enquanto aumenta a quantidade de casos de febre amarela, os macacos estão virando vítimas duplamente. Não apenas da doença, mas da população, que teme que eles a transmitam e os matam.

Porém, os macacos nos protegem porque são a primeira manifestação da doença. É através deles que se descobre a presença da doença. A morte dos macacos prejudica o sistema de vigilância da doença.

“Quanto menos macacos, mais o mosquito buscará sangue das pessoas. O macaco protege os humanos. O nosso problema é que as áreas de mata são cada vez menores. Os macacos são dispersores de sementes. São fundamentais para que a floresta seja saudável — diz a pesquisadora da Fiocruz Marcia Chame”.

Final

Este é um panorama do que se tem das últimas notícias e comentários nas mídias e setores competentes.

Vamos agora deixar para nosso leitor dois vídeos de Marcos Boulos, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador estadual de Controle de Doenças.

 

Assistam, vale a pena.
 

Vídeos

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