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Corpo e Saúde

Coronavirus: o que se sabe até agora?

19 FEV, 2020 Autor: José Roberto Abramo
Coronavirus: o que se sabe até agora? (19/02/2020)

 Coronavírus é um tipo de vírus que causa infecções respiratórias. Na realidade, os coronavírus (CoV) são uma grande família viral, conhecidos desde meados dos anos 1960, que causam infecções respiratórias em seres humanos, mas também em animais.

Em geral, infecções por coronavírus causam infecções leves e moderadas parecendo um resfriado comum. No entanto, coronavírus podem causar síndromes respiratórias graves, como por exemplo a síndrome respiratória aguda grave que ficou conhecida pela sigla SARS.

O nome vem da síndrome “Severe Acute Respiratory Syndrome”. A SARS teve os primeiros relatos na China em 2002. E se disseminou rapidamente. O número de casos de coronavírus em todo o mundo já ultrapassou o da epidemia de SARS, que se espalhou para mais de duas dezenas de países em 2002.

O vírus da SARS infectou 8.000 pessoas. Já o este tipo de coronavírus atingiu a marca de 20.000 pessoas. Análises têm mostrado que 79,5% do RNA do vírus coincide com o do SARS. E cerca de 96% desse código genético é igual ao de outros coronavírus que infectam morcegos.

O professor de virologia da Universidade de Reading, na Inglaterra, Ian Jones, afirma que “Para a maioria dos que contraem esse vírus, o resultado será uma doença respiratória leve da qual se vão se recuperar”. Para Jones, o novo coronavírus é uma versão do vírus da SARS que se espalha mais rápido, porém causa menos danos.

Agora, novas análises publicadas revelaram que 80% do material genético do novo vírus é igual ao da SARS. A semelhança entre esses dois coronavírus podem facilitar a produção de vacinas.

Esse coronavírus eventualmente pode causar infecção das vias respiratórias inferiores, como pneumonia. Ou seja, podem haver afecções graves. Atualmente, a taxa de mortalidade para a nova linhagem de coronavírus é baixa, próxima de 2%, ou seja, bem menor que a SARS, que atingiu quase 10% e o Ebola, com 70%.

Mas de acordo com a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Mayra Moura, há realmente a expectativa de conseguir uma vacina rapidamente. No entanto vacinas são processos burocráticos, caros e, às vezes, arriscados. Mas de acordo com ela, “se o vírus ainda estiver circulando, com certeza a vacina é a melhor solução”. “Além de proteger as pessoas individualmente, a vacinação em larga escala induz o que chamamos proteção coletiva, impedindo a circulação do vírus”.

Os coronavírus mais comuns que infectam humanos são o alpha coronavírus 229E e NL63 e beta coronavírus OC43, HKU1. A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou o surto uma emergência global.

O médico da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica, Hélio Mangarinos, diz que a vacina de fato ajuda na proteção de um grupo grande de pessoas, mas medidas simples podem atenuar em muito o problema de contaminação e disseminação do coronavírus. Essas medidas podem ser isolar pacientes, tomar cuidado ao espirrar e lavar as mãos contribuem para reduzir o contágio.

O infectologista da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Edmilson Migowski, , acrescenta que “Durante a epidemia de gripe suína, o H1N1, entre 2009 e 2010, até a vacina ser disponibilizada, houve campanha intensa para lavar as mãos”, diz. “O resultado foi que, naquele ano, nenhum laboratório produtor de soro, remédio para diarreia, conjuntivite, resfriado bateu a meta de vendas. O simples gesto de lavar as mãos com mais frequência reduziu a incidência de enfermidades”.

A princípio o coronavírus apareceu em Wuhan na China. A OMS, no entanto, adota um nome que não associe o lugar à doença para evitar estigmatizar o país e a província de Wuhan. Importante para a OMS evitar o estigma associado à doença, ao referir-nos a indivíduos sobre uma base étnica, como foi por exemplo a gripe espanhola.

“Isto é inaceitável”, disse o diretor de programas de emergência da OMS, Michael Ryan. Também evitar associação com animais como o H1N1, chamado “gripe suína”. A tentativa é ser o mais neutro possível, assim adotando um nome curto e técnico, que bem descreva.

A Epidemia tem se espalhado. Já chegamos a partir de Wuran a 27 países com 200 casos registrados e mais de 29.000 infectados na sua maioria na China.

Embora a origem dos coronavírus seja dos animais, mas através de mutações o vírus foi capaz de se adaptar às células humanas. Então pode haver transmissão de animais para o homem. A respeito do conronavirus 2019NCoV, agora oficialmente denominada Covid-19, sabemos que a transmissão atual está se dando em continuidade de humanos para humanos.

E se espalha rapidamente.  A pressa de deter a expansão do vírus se dá pela capacidade do mesmo de fazer mutações, o que torna uma vacina algo mais distante se ocorrer. No período de incubação a pessoa pode transmitir o vírus, mas é necessário contato próximo pessoa a pessoa.

Gráfico Corona Vírus

O crescimento do número de contágios é que faz com que o Convid-19 seja perigoso. Basta olharmos o gráfico acima. O governo chinês de posse dos últimos resultados decretou medidas extremas e inéditas de isolamento das populações afetadas.

O professor e chefe do departamento de Saúde Pública da Universidade de Hong Kong, Gabriel Lehung, em entrevista ao jornal The Guardian, afirma que o ritmo de contaminação que cada pessoa infectada contagia, em média, 2,5 outras.

Outro fator o percentual de indivíduos que, tendo contato direto com o vírus, adquirem a doença é estimado entre 60% e 80%. O Coronavírus propaga-se muito facilmente, pelo ar, assim, Lehung calcula que, sem medidas especiais, até 60% da população do planeta pode ser contaminada. Mesmo que a taxa de letalidade seja muito baixa em relação aos outros coronavírus, diante do número dos infectados, poderemos ter uma pandemia que, inclusive traga muitos problemas econômicos para os governos e para a sociedade em geral.

No caso do Brasil, se vier a ocorrer a epidemia, como promover medidas de controle sanitário semelhantes? Poderia desorganizar por completo o nosso sistema de saúde? Será que teremos condições ao lidar em metrópoles cheias de gente e em condições precárias com as medidas necessárias como fez a China e tem feito outros países? Estamos despreparados considerando os problemas que enfrentamos no país?

Em termos globais esta pandemia afetaria não apenas as pessoas doentes e traria a morte de milhões, mas afetaria também a vida de pessoas sadias em vários níveis. Lembrando que os primeiros afetados serão os próprios agentes de saúde.

Considerando que em várias áreas do mundo estes controles e esta vivência tem caráter precário, começaram a faltar profissionais para cuidar em princípio da saúde, depois outros profissionais ligados à outras áreas importantes, de energia, entre outros setores, e isto pode levar à um caos social.

Em 05 de Fevereiro de 2020, o Jornal O Globo noticiou que “Plano global contra o coronavírus previsto para durar 3 meses vai custar US$ 675 milhões, diz OMS. / Valor é o estimado para apoiar as operações internacionais de combate à doença e para o fortalecimento dos sistemas regionais de saúde. Valor  não inclui prejuízos relacionados ao impacto na economia nos países afetados”.

Outro enfoque de análise, tenta relativizar a forma como são tratadas as notícias, o que via de regra causa um estrago até maior.

Não é a primeira vez que temos uma epidemia na China. O país é superpopuloso. Porém, entre acertos e erros os governos e as autoridades têm conseguido contornar estas crises.

A mais recente e marcante epidemia foi a SARS mobilizou inseguranças, medos e preconceitos sobre o país. Hoje a notícia do coronavírus se espalha por meio de uma onda de pânico moral que mistura fake news, desinformação, racismo e estereótipos tolos. Notícias falsas gravíssimas percorrem o WhatsApp.

As notícias a respeito do coronavírus tem se espalhado por meio de onda de pânico e FakeNews, desinformação, racismo e estereótipos, que persistentemente tem se levantado contra os chineses e sua cultura. A ideia que a origem da doença estaria em ingestão de pássaros vivos, morcegos, serpentes e que o mercado da China é algo insalubre e contaminante, não se eiva na realidade.

Isto é um retrato negativo e perverso de uma sociedade que tem vencido seus desafios e que pode provocar até imagem positiva com suas posições até o momento diante dos quadros endêmicos da doença. Exemplo a construção em 10 dias de um hospital.

A ideia é que a China “infesta” o mundo de tudo de ruim, por exemplo, manufaturas de qualidade baixa sob o pejo de trabalho escravo. O que a realidade não tem sustentado numa breve visita que profissionais de várias áreas fazem ao país.

A construção rápida de um hospital mostra pragmatismo diante da calamidade. Como de resto o país se situa diante dos seus desafios. Como aliás, o fazem países desenvolvidos e com políticas públicas. Portanto a forma de compreender a dinâmica do problema partindo de uma construção de raciocínio assim é um modelo simplificado da realidade. Tanto a imagem negativa quanto a positiva são estereotipadas e nada explicam do problema em si.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Wanderson Oliveira, faz algumas advertências e parece não concordar com o pânico em torno da propagação do coronavírus por aqui. Primeiro ele diz que devemos evitar a xenofobia.

O secretário disse ainda que tivemos a época da copa e olimpíadas o Zika vírus e não houve qualquer problema com relação aos dois eventos. Ele afirma, ao contrário do que escrevemos acima, que o Brasil está sim preparado para enfrentar uma epidemia por aqui, caso haja. Ele diz que temos medicamentos antirretrovirais. Diz ele que no momento todos os estados estão desenvolvendo planos de contingência. Quanto à questão de internamentos, podemos efetuar tratamento em casa e promoção de isolamento domiciliar.

Sintomas

Os coronavírus podem produzir sintomas muito variados.

Podem haver casos de contaminação assintomáticos. Mas principalmente casos onde o sintomas sejam nas vias aéreas superiores semelhante aos resfriados. Como podem ter caos graves de pneumonia e insuficiência respiratória aguda, com razoável dificuldade respiratória. E é fato que crianças de pouca idade, idosos e pacientes com baixa imunidade podem apresentar manifestações mais graves.

Como evitar se contaminar com o coronavírus?

A Sociedade Brasileira de Infectologia e Associação Médica Brasileira recomendam:

  • Evitar contato próximo com pessoas com infecções respiratórias agudas;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente e antes de se alimentar;
  • Usar lenço descartável para higiene nasal;
  • Cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir;
  • Evitar tocar nas mucosas dos olhos;
  • Higienizar as mãos após tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas;
  • Manter os ambientes bem ventilados;
  • Evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

Além de tudo que se disse sobre o coronavírus, é importante saber que, “Os vírus são seres que não possuem células, são constituídos por ácido nucleico que pode ser o DNA ou o RNA, envolvido por um invólucro proteico denominado capsídeo. Os vírus de RNA apresentam taxas altas de mutação que permitem uma evolução rápida. E este é o caso do Covid-19 “. Desta forma a ameaça pode ser real e termos uma pandemia global.

Mas existe uma outra “pandemia” a ser detida.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE) Christine Lagarde afirmou, no dia 05 de Fevereiro de 2020, que a propagação do coronavírus adiciona “nova camada de incerteza” à economia global. A tensão aumenta diante do acordo comercial entre EUA e China. Embora esta guerra comercial pareça ter diminuído, a epidemia pode ter impacto no protecionismo global e afetar o débil crescimento da economia. ZA ameaça assim como  a SARS deve ser temporária, mas não sem deixar estragos.

A China deve perder 1,2 pontos em seu crescimento de seu PIB. Isto impacta a economia globalizada mundial.

Gigantes como Toyota, Starbucks, McDonald’s, Foxconn e Volkswagen reduziram ou paralisaram suas atividades na China.

Estima-se que as exportações brasileiras para a China serão afetadas em 3%. A China é nosso principal mercado de exportação.

Tanto a disseminação do vírus quanto as medidas rigorosas de quarentena impostas, bem como o consumo de indivíduos e empresas, levantam dúvidas sobre a força de uma possível recuperação.

Aleksandra Kusmanovic trabalha na Organização Mundial da Saúde (OMS) e seu trabalho é avaliar e conter algo que vem se propagando globalmente, e não é o vírus em si, mas as informações falsas perigosas.

Ela e sua equipe trabalham contatando as Redes Sociais, por exemplo Facebook, Twiter, Pinterest, bem como Airbainb, Amazon, Google, entre outros com o objetivo de destruir mitos sobre o coronavírus. Ou seja, desmentir as falsas informações, detectá-las e até removê-las. E em seu lugar passar informações corretas para impedir que as pessoas paralisem suas atividades ou temam aquilo que não é a verdade sobre o coronavírus, evitando assim um colapso

As equipes vêm se deparando com uma série de afirmações falsas, como a de que o coronavírus foi criado como uma arma biológica ou financiado pela Fundação Bill & Melinda Gates para aumentar a venda de vacinas. Ou então que a pessoa pode se curar comendo alho ou ingerindo uma mistura de água sanitária (o que pode levar a uma insuficiência hepática). Essas ideias, como o próprio vírus, são facilmente transmitidas de modo inconsciente ou insidioso e se espalham quase que invisivelmente através do vasto mundo virtual.

E essas notícias sensacionalistas e incorretas, além de insidiosas se transmitem mais rapidamente que o próprio vírus, através do mundo virtual.

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