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Sequenciamento do genoma Coronavírus. Por que é tão importante?

12 MAR, 2020 Autor: José Roberto Abramo
Sequenciamento do genoma Coronavírus. Por que é tão importante? (12/03/2020)

 Vírus são estruturas ou seres vivos muito pequenos, visíveis apenas ao microscópio eletrônico. São constituídos por ácidos nucleicos, que podem ser o RNA, ácido ribonucleico e o DNA, ácido desoxirribonucleico. São acelulares e eles não possuem orgânulos que possam processar a síntese bioquímica.

Sendo assim só podem executar atividades vitais, tais como reprodução e propagação, hospedando uma célula. Então são considerados parasitas intracelulares obrigatórios. Assim que a relação parasitária se estabelece, o material genético do vírus passa a comandar a célula, ou seja, trabalha o metabolismo da célula para que se origine novos vírus em curto espaço de tempo.

Porque é Importante o Sequenciamento do Genoma?

O genoma viral, pode ser DNA ou RNA. O ácido nucleico contém os genes que são os responsáveis pelas informações genéticas para a codificação de proteínas com composição química definidas e que sejam capazes de induzir respostas imunológicas específicas.

O nosso organismo quando somos acometidos de uma infecção viral, produz anticorpos específicos para fazer frente à invasão. E estes anticorpos podem ser identificados através de exame sorológico. Então sequenciar o genoma do vírus é importante porque com isto conseguimos pistas para sabermos sua origem, sua evolução e para que possamos desenvolver possíveis vacinas e curas.

Entender o código genético de um vírus é importante então, porque ajuda na busca pelas vacinas, e também para detectar mutações que eventualmente surjam. O vírus surge no organismo humano, começa a se espalhar e mutar. E no que diz respeito ao Convid-19, isto vem acontecendo rapidamente. Entender estas mutações nos dão a rota do vírus pelo mundo.

A presteza com que se desenvolva o sequenciamento se deve ao fato de que, quanto mais rápido o vírus sofre mutação, mais ele fica distante da sua árvore genealógica.

Sequenciamento no Brasil

No Brasil pesquisadores do Instituo Adolfo Lutz, do Instituto de Medicina Tropical da USP e da Universidade de Oxford, em 48 horas sequenciaram o convid-19.

O primeiro paciente brasileiro infectado que viera da Itália teve o genoma sequenciado em 48 horas, de 26 de Fevereiro à 28 de Fevereiro. Este é geneticamente parecido com o genoma sequenciado na Alemanha.

Sequenciamento do segundo brasileiro infectado foi concluído em apenas 24 horas

A pesquisadora Ester Sabino, do Instituto de Medicina Tropical, disse que a importância é mostrar que rapidamente somos capazes de fazer e colocar isso à disposição de outros cientistas do mundo. Outro fator interessante desse sequenciamento em tempo recorde é que se descobre que os dois pacientes têm genomas diferentes.

Quanto mais informações, mais fácil será entender como a epidemia está em curso no mundo. Daí a interação entre os vários institutos do mundo. Interação que fortalece a resposta à epidemia. Por enquanto as variações nos genomas são pequenas, ou seja, há pequenas mutações, porém, a taxa de variabilidade tem se mantido baixa.

O Jornal da USP noticia que:

“Os isolados virais dos dois pacientes brasileiros diagnosticados com covid-19 foram sequenciados pelo grupo coordenado por Claudio Tavares Sacchi, responsável pelo Laboratório Estratégico do Instituto Adolfo Lutz, e Jaqueline Goes de Jesus, pós-doutoranda na Faculdade de Medicina da USP”.

Corona Vírus DNA Brasil

A vantagem do monitoramento em tempo real da epidemia, e por isso a velocidade nos sequenciamentos, é que abre-se a possibilidade de saber de onde exatamente o vírus que chegou ao país vem, e esta informação orienta ação de contenção do mesmo por aqui. E assim reduzindo sua disseminação.

Evolução no presente

Até o momento o coronavírus infectou mais de 102 mil pessoas em 94 países e territórios em cinco continentes desde o surgimento da doença, em dezembro/2019. Ao menos 3.486 morreram. A China, de onde partiu os primeiros casos de infecção já respondeu até 99% dos casos, e agora chega a 80% com indícios de queda. A cada dia o número de infectados cai.

Por estarmos diante de um novo tipo de vírus o nível de preocupação é grande. Não se sabe como se comportará e como nos casos de pessoas recuperadas o organismo ficará. Não sabemos se existe imunidade ao vírus depois de desenvolvimento da doença porque casos na China de pessoas recuperadas apareceram de novo infectadas. Em contrapartida já se detectou inúmeras mutações. Então, por enquanto estima-se que não há imunidade pós infecção.

Não sabemos também se uma pessoa que foi infectada e que não apresente sintomas, se ela é capaz de ser transmissora. O contágio assintomático dentro do tempo de incubação, estimado entre 1 a 14 dias, parece ser uma possibilidade não descartada.

O vírus se espalha rapidamente. Mesmo tendo uma perspectiva de óbito baixa, em torno de 2%, ou seja, 2 pessoas mortas para grupo de 100 infectados, mas pela rapidez do espalhamento, podemos ter um número alto de infectados e com isto uma população significativa o que daria um alto número de óbitos.

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