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Corpo e Saúde

Superbactérias

23 NOV, 2016 Autor: José Roberto Abramo
Superbactérias (23/11/2016)

 SUPERBACTÉRIAS

 

BACTÉRIAS:

O organismo humano tem trilhões de células e trilhões de bactérias, e esta quantidade varia de pessoa para pessoa, mas o fato é que necessitamos da convivência com estes organismos, que estando em nós, nos ajudando, são benéficas. Elas vivem principalmente na pele, boca, genitália e intestino. Elas ajudam em uma série de atividades, como a síntese de vitaminas importantes, manutenção do metabolismo humano, e nos protegem contra microrganismos patogênicos.

Porém nem todas as bactérias que venham a estar em nosso organismo são benéficas. Algumas bactérias são oportunistas e invadindo nosso organismo nos causam problemas,

Infecção se refere à invasão, desenvolvimento e multiplicação de um micro-organismo no organismo humano, por exemplo. Por isso usamos o termo infecção por bactéria.

Sendo assim fazemos usos de remédios – os Antibióticos – para nos livrar delas.

As infecções bacterianas são doenças que ocorrem quando as formas prejudiciais de bactérias se multiplicam no interior do corpo. O prognóstico das infecções varia de leve a grave, dependendo muito do estado geral do hospedeiro.

Atualmente a comunidade científica vem se debatendo com a resistência destes micro-organismos aos antibióticos.  Os micro-organismos passam por mutações e passam a repelir o ataque dos antibióticos. A capacidade de adaptação vem superando complexas fórmulas químicas outrora criadas pela indústria farmacêutica, e esta leva muito tempo e investe dinheiro no desenvolvimento de novos antibióticos. E isto não leva menos de 10 anos de testes até a aprovação ou a percepção da validade daquele medicamento. Portanto, a capacidade atual de superação das bactérias tem deixado os cientistas preocupados.

Nos últimos anos cresceram casos de bactérias muito resistentes, em ambientes de hospitais, causando complicações em pacientes que já estavam vulneráveis, tornando impossível o tratamento. Quando há desequilíbrio no organismo, ficamos susceptíveis ao ataque de bactérias nocivas, sem inclusive que as boas bactérias consigam nos ajudar e também sem que o nosso sistema imunológico possa atuar perfeitamente. Boa parte das pessoas no mundo convive com a Mycobacterium tuberculosis, agente da tuberculose, no entanto, somente em condições específicas se desenvolve a doença. Então a questão não é não conviver com as bactérias de forma alguma, a questão é, à frente de uma condição de desequilíbrio ou de vulnerabilidade do organismo, termos remédios que possam nos auxiliar a debelar estes micro-organismos. Quando um ser humano está internado, seja qual for o motivo de sua doença ou  internação, neste momento está fragilizado, e se estiver diante ou for portador de uma bactéria e esta for resistente, podemos chegar ao óbito de um paciente com prognóstico às vezes bastante razoável de cura de sua enfermidade, e por questões alheia a ela fenece.

 

 

 

 

A klebsilella pneumoniae carbapenemase (KPC) é uma enzima produzida por algumas bactérias gram-negativas que apresentam resistência aos antibióticos carbapenêmicos. Pertence a família Enterobacteriaceae. A primeira KPC foi descrita em um isolado de Klebsiella pneumoniae em 2001 na Carolina do Norte (EUA), gerando a denominação de KPC. Outras cepas de KPC começaram então a ser descritas a partir de 2004 nos Estados Unidos, Grécia, Ásia, Colômbia, Chile, Argentina e Brasil. A KPC tem sido relatada em cepas de Klebsiella pneumoniae, Klebsiella oxytoca, Citrobacter, Enterobacter, Eschechiria coli, Serratia e também em Pseudomonas.

(http://www.hgb.rj.saude.gov.br/ccih/Todo_Material_2010/ROTINA%20A%20-%20MEDIDAS%20DE%20PREVEN%C3%87%C3%83O%20E%20CONTROLE%20DAS%20INFEC%C3%87%C3%95ES%20HOSPITALARES/rotina_a24_enterobacterias_produtoras_de_carbapenemase.pdf)

Em hospitais, internados são vulneráveis ao KPC Os pacientes mais vulneráveis a KPC são aqueles com comorbidades - associação de pelo menos duas patologias num mesmo paciente -  incluindo pacientes transplantados, neutropênicos (baixa de neutrófilos), em ventilação mecânica e aqueles em UTI com longos períodos de internação que apresentam risco aumentado de infecção ou colonização, que vem a ser estratégias de adesão aos tecidos de seus hospedeiros , por bactérias multirresistentes. As cepas produtoras de KPC podem causar qualquer tipo de infecção sendo a evolução destas associadas a uma alta taxa de mortalidade.

Cepas

Quando uma espécie sofre mutações significativas ou conforme gerações se adaptam a novas condições ambientais, os descendentes podem ter formado uma nova estirpe. Por exemplo, O H1N1 é uma estirpe ou cepa do vírus da gripe que ficou famosa por causar sintomas mais fortes.

Desta forma, estirpe ou Cepas refere-se a um grupo de descendentes com um ancestral comum, que serão variantes ou variedades do original. Uma variedade ou alteração mínima confere a este micro-organismo propriedades distintas sem perder a característica da espécie. Portanto, é uma mutação genética.

As bactérias usam diferentes mecanismos elementos para realizar a troca de informação genética promovendo assim a disseminação da resistência. E para a saúde pública é importante compreender quais mecanismos e processos que vão permear a determinação de resistência a antibióticos nos mais variados gêneros de bactérias.

O uso abusivo de antibióticos tanto na medicina veterinária, quanto na medicina humana, por muitos anos ou décadas, na verdade, tem trazido grande impacto na saúde pública.

No que se concerne à medicina veterinária, observe-se que de  maneira geral verifica-se a necessidade de orientação para o uso de antibióticos mediante o diagnóstico da doença e a prescrição do medicamento deve ser realizada por um médico veterinário, pela adoção da posologia recomendada e pelo respeito ao período de carência do medicamento de modo que se evite danos à saúde humana. São escassos os dados que relacionem a problemática da resistência bacteriana na pecuária com a saúde humana. Não temos estudos muito avançados

Rev. Saúde Públ. Santa Cat., Florianópolis, v. 4, n. 1, jul./dez. 2011.

 

 

Com relação à saúde humana e o uso de antibióticos, Segundo dados da Organização Mundial de saúde, infecções representam 25% das mortes no mundo, e em países em desenvolvimento esse percentual gira em torno de 45% . Isso tem acontecido porque a maior parte da população obtém prescrições inadequadas para o uso de antibióticos. Em muitos países dois terços da população usam esse tipo de medicamento sem prescrição médica, por um ou até três dias, interrompendo o tratamento antes da média prevista para uso de medicamentos desse tipo. O inadequado uso de antibióticos sem critério, sem período, sem dose e sem indicação correta, acelera os mecanismos de defesa das bactérias, fazendo com que o medicamento perca sua eficiência. As bactérias desenvolvem resistência aos antibióticos numa velocidade maior com que são descobertos e elaborados novos fármacos.

As infecções causadas por micro-organismos mutantes resistentes, tendem a comprometer o tratamento de pacientes fazendo com que estes tenham que prolongar o mesmo, elevando os custos e aumentando o risco de morte além de contágio de outras pessoas com essas “superbactérias”.

Acta Biomédica Brasiliensia / Volume 6/ nº 2/ Dezembro de 2015. www.actabiomedica.com.br

Análise de NDM1.

O termo NDM-1 não refere-se a um tipo de bactéria mas sim a um gene que algumas bactérias possuem, o qual dá a essas bactérias a resistência aos mais potentes antibióticos. Uma bactéria com o NDM-1 é praticamente indestrutível, pois ele cria uma enzima que neutraliza a ação dos antibióticos e por isso as bactérias se tornam resistentes à ação dos medicamentos.

As carbapenemases de extrema relevância do ponto de vista epidemiológico, por conta da rápida e ampla disseminação mundial são as do tipo NDM e tipo KPC.

Em Maio deste ano (2016), o Jornal EL PAÍS, divulgou a notícia de contaminação de uma paciente, portadora de uma bactéria resistente à colistina, um antibiótico de último recurso usado contra infecções mais graves. Segundo pesquisadores do Centro Médico Militar Nacional Walter Reed, em Bethesda, no Estado norte-americano de Maryland, a paciente sofria de uma infecção urinária provocada por uma versão da bactéria E. Coli com uma mutação do gene mcr-1 que a fazia imune ao medicamento. Essa mutação havia sido detectada pela primeira vez na China, em suínos e em alguns indivíduos. Desde então, apareceu em vários países de todo o mundo. O mais preocupante é que esse mecanismo de resistência pode ser transmitido de uma bactéria a outra com relativa facilidade, porque está em um plasmídeo, um fragmento de material genético que pode ser transmitido.

Ainda mais preocupante: o gene MCR1 tem a característica de ser capaz de mover-se facilmente de uma cepa de bactérias a outras espécies. Isto produz uma ameaça: muitas infecções podem tornar-se intratáveis, o que nos aproximaria do pesadelo de uma era sem antibióticos efetivos.

http://brasil.elpais.com/brasil/2016/05/27/ciencia/1464347964_757327.html

Então, feita a recombinação genética, esta resistência pode ser “transmitida” de uma a outra bactéria. Em geral será transferida a membros da mesma espécie, mas ocasionalmente a transferência se dará para outras espécies de bactérias. O que é extremamente preocupante.

 

 

Boas notícias: saiu em White Book – O APP médico.

Uma nova esperança acaba de surgir:

 Cientistas desenvolveram um método para matar superbactérias sem o uso de antibióticos.

No artigo publicado na revista Nature Microbiology, a equipe discutiu o desenvolvimento de polímeros em forma de estrela, chamados SNAPPs (polímeros de peptídeos antimicrobianos estruturalmente projetados com nanoengenharia), capazes de matar bactérias de várias maneiras, sem prejudicar outras células.

Até agora, os SNAPPs foram efetivos em seis superbactérias diferentes no laboratório, e até mesmo contra um em camundongos. As 16 ou 32 pontas dos polímeros juntam-se às superbactérias e podem fisicamente rasgar a parede celular.

Eles também permitem que os íons penetrem a membrana do citoplasma, destruindo o metabolismo das bactérias, causando morte celular programada.

O SNAPPs ainda são muito grandes (cerca de 10 nanômetros) para entrar nas células saudáveis, mas os cientistas esperam que os polímeros possam, eventualmente, ser a solução para os problemas das superbactérias resistentes.

Referências:

http://www.iflscience.com/health-and-medicine/starshaped-polymers-developed-that-can-kill-superbugs-without-antibiotics/

Conclusão:

Enquanto não temos os polímeros, ou ainda não temos como provar sua eficácia, fica a promessa, porém temos de nos cuidar, portanto, condutas são nos sugeridas:

Condutas de higiene

Ocasiões nas quais a higienização correta das mãos é fundamental:

Após manipular objetos e superfícies tocadas com frequência por outras pessoas (deixar o transporte público);

Antes das refeições para se proteger de doenças gastrointestinais;

Antes e depois de visitar hospitais ou unidades de saúde;

Após o contato das mãos com pessoas de fora do círculo íntimo, como em festas, eventos religiosos, entre outros;

Sempre lavar logo depois de usar o banheiro (em casa ou na rua);

Após tossir ou espirrar. Importante lembrar que os infectologistas recomendam proteger as secreções, ao espirrar e tossir, com o antebraço e não com as mãos;

Sempre que chegar em casa;

Usar álcool gel (70%) se estiver na rua e não for possível lavar as mãos. O produto normalmente é oferecido nos estabelecimentos. Se for possível, leve um pequeno frasco com você;

 

Para higienizar as mãos de forma correta, observe :

Não esqueça de tirar anéis, pulseiras e relógio antes de lavar as mãos;

Molhe as mãos e aplique o sabão;

Esfregue a palma e o dorso das mãos, todos os dedos e os pulsos;

Atenção às pontas dos dedos: esfregue as pontas de uma mão na palma da outra e vice-versa, para limpar sob as unhas;

Enxague bem as mãos ;

Seque com toalha de papel ou de tecido (se for em casa).

Evite visita em hospitais com roupas onde sua pele esteja exposta. Bermudas, saias, blusas abertas e muito peladas. Você tanto pode trazer como levar algo para o hospital.

Foi a o médico? Lave as mãos antes e depois da consulta.

Em piscinas, saúnas, massagens, evite o contato de seu corpo sem proteção com as superfícies expostas. Exija um papel toalha.

Mas não precisa ficar doido.

 

 

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