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A INTUIÇÃO E AS DESCOBETAS CIENTÍFICAS

17 ABR, 2017 Autor: JOSÉ ROBERTO ABRAMO
A INTUIÇÃO E AS DESCOBETAS CIENTÍFICAS (17/04/2017)

 A intuição, segundo as palavras de Aurélio é “Ato de ver, perceber, discernir;  pressentimento, presságio.

 

Para o Dicionário básico de Filosofia: “Intuição: (lat. Intuitio: ato de contemplar) Forma de contato direto ou imediato da mente com o real, capaz de captar sua essência de modo evidente, mas não necessitando de demonstração”.

 

Eu questiono de acordo com o que posso ler nestes conceitos, de dicionário ou de dicionário filosófico, se a intuição é um pré-raciocínio esperado, ou que por ventura quando se conhece algo possa se estimar um desdobramento futuro. Não sei se apalavra Intuição serve para o que se pode prever. Eu creio que a Intuição vem do inusitado. Aquilo que embora se possa pensar, mas que chega desavisado, sem um prévio juízo a respeito do fato. É quando se tem no inesperado uma resposta que não se esperava para um problema, problema este que não estávamos aventando.  Mas, creio, outrossim, que mentes que exploram a abertura para a intuição, conseguem fazer uso como parte planejada de seus futuros raciocínios. É quando chamamos alguém de espirituoso.

 

Mario Schenberg,  matemático, físico, engenheiro, pensador e crítico de arte, nos diz: “Não se sabe de onde elas vêm; pode-se dizer que os grandes gênios têm intuições”.

 

“Não me guio muito pelo raciocínio. O raciocínio é importante para provar as coisas, mas é a intuição que mostra a solução dos problemas”, afirma Schenberg numa entrevista concedida a Amélia Império Hamburger.

 

O neurocientista Antônio Damásio, da Universidade do Sul da Califórnia, nos trás de suas pesquisas que é importante prestarmos atenção ao que ele chama de “marcadores somáticos”. Marcadores somáticos são mensagens que irrompem em áreas cerebrais. Nestas mensagens estão a quase certeza de que algo está errado ou que algo está certo, sem a devida instância de raciocínio anterior.

 

O que provoca estas mensagens ou estas respostas na forma dos marcadores somáticos, não foi definido. Ou ainda, como esta reação é disparada?

 

Vamos a uma experiência que todos já passamos por ela. Você se sente arrepiado (corpo arrepiado) ao ver algo ou ouvir certas coisas que te parecem naturais, mas que provocaram esta sensação. Está num limite fora do raciocínio organizado de causa e efeito ou de sua análise.

 

Em algumas brincadeiras de acertar a hora, sem olhar para o relógio, a pessoa que propõe diz, fale a primeira ideia que te vir à mente. E em percentual alto as pessoas acertam a hora sem olhar para o relógio. Quando pensam e estimam, erram em maior número.

 

A professora Shabnam Mousavi, da Johns Hopkins Carey Business School, reforça  que a nossa intuição pode ser melhor ferramenta do que medidas calculadas e extremamente racionais em determinadas situações. Segundo diz, seus estudos comprovam isto.

 

Não podemos confiar cegamente na intuição, mas devemos leva-la mais a sério.

 

“Todos os grandes Homens são dotados de intuição: um verdadeiro chefe não necessita de testes psicológicos nem de informações para escolher melhor seus colaboradores”.  Alexis Carrel (escritor e médico)

 

Reza a lenda que Newton que desenvolveu a Gravitação Universal teria entendido o porquê de a Lua não se afastar da Terra mas manter-se em órbita  a partir da experiência da maçã. Newton estava debaixo de uma árvore quando a maçã cai sobre sua cabeça. Questionou porque a maçã não iria para outra trajetória, mas se convenceu num estalo intuitivo que ele, Newton estava no caminho do centro da Terra, ou que a maçã se atraia para este ponto. Então pode ver que as massas se atraem e que, portanto, a Lua também se atraia pela Terra, mas o fato de que ela detinha certa velocidade permitia que esta caísse indefinidamente.

 

A radioatividade foi descoberta por Becquerel que guardara em uma gaveta um elemento químico junto a uma placa fotográfica e uma cruz de cobre. Ao retirar da gaveta descobre que o elemento químico (Urânio) havia impresso na chapa a marca da cruz. Sua intuição foi de que o Urânio emitia raios que não passaram pela chave (foram absorvidos nela) mas passavam por outros materiais e impressionavam a chapa fotográfica como a luz o fazia.

 

Thomas Edison operou várias invenções com a chamada “intuição volitiva” o que quer dizer que ele se dispunha a imaginar suas soluções para o que queria que viesse existir por suas mãos usando a força de vontade para concluir o que não conseguia ver raciocinando.

 

Nikola Tesla, um cientista sérvio, naturalizado americano, que chegou a trabalhar com Edinson, era considerado um sujeito exótico em maneiras e costumes e que dizia ver aparecer em sua cabeça vários engenhos elétricos que a posteriori se mostraram úteis e possíveis. Pensando inclusive em discos voadores e viagens no tempo e engenhocas para tal e o raio da morte, bem como arma de mudanças climáticas entre outras coisas que ficaram como seu legado tendo pouca coisa sido colocada em prática, até onde se sabe. Parece que Tesla andava muito à frente de seu tempo.

 

Henri Bergson foi um filósofo e diplomata francês, A filosofia bergsoniana da consciência, fundada na experiência interior, tem um papel importante na invenção, na intuição e na imaginação criadoras. Assim, Einstein teria operado uma “criação” com a Teoria da Relativa Restrita e depois Geral, uma vez que não seria inteligível pela lógica cotidiana e racional que o espaço e o tempo poderiam ser modificados diante da velocidade.

 

Para Alexis Carrel:

 

“Os cientistas ignoram para onde vão. São guiados pelo acaso, por raciocínios sutis, por uma espécie de clarividência. Cada um deles é um mundo à parte, governado pelas suas próprias leis. De tempos a tempos, certas coisas, obscuras para os outros, tornam-se claras para eles. Em geral, as descobertas são feitas sem nenhuma revisão das consequências”.

 

E assim somos levados por imaginação e pensamento criativo.

 

Carl Gustav Jung identificou quatro Funções Psíquicas que a consciência usa para fazer o reconhecimento do mundo exterior e orientar-se. Ele definiu as funções como: Sensação, Pensamento, Sentimento e Intuição. As pessoas utilizam diariamente essas quatro funções.

 

A Sensação e a Intuição são funções irracionais, uma vez que a situação é apreendida diretamente, sem a mediação de um julgamento ou avaliação.

 

Algumas pessoas mais que outras usam diferenciadamente mais uma função que as outras três. Mas basicamente todos somos tomados por estas funções e quando muito usamos a Intuição para nos salvar ou até imaginar que existem outras coisas além daquelas que usualmente trabalhamos. E assim se cria e recria o mundo.

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