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Política e Sociedade

A Fé e a Ciência

16 MAI, 2017 Autor: JOSÉ ROBERTO ABRAMO
A Fé e a Ciência (16/05/2017)

 “Insistiremos no fato de que ninguém pode arrogar-se o espírito científico enquanto não estiver seguro, em qualquer momento da vida do pensamento, de reconstruir todo o próprio saber”. Gaston Bachelard

Tenho visto muitos ex-alunos meus se voltarem para a carreira do Magistério, em vários ministérios. Tanto no 1º quanto no 2º grau, ou de graduação, em cursos de pós-graduação, às vezes técnicos, até em ciências da religião.

Fico me perguntando, se  tão jovens (alguns muito jovens em carreiras de licenciatura), estão preparados. Sim porque, tenho para mim que o professor deve estar preparado para ensinar a Fé. A Fé, porque para caminhar neste mundo sem uma firme capacidade de crer que ele,  o mundo, e toda a escola que para nós representa nas suas miríades, você precisa de uma crença extremada no caminho que escolheu. De que vale a pena o esforço. De que você está ali construindo um mundo viável. De que você está ali servindo ao outro. De que você é necessário. De que você aprendeu que é parte de um todo, importante para todas as espécies planetárias. De que o mundo somente será show, se cada um fizer seu espetáculo. Não há lugar para “não ser” no mundo. E SER é ter Fé. A Fé Antropológica (significação do agir humano).

Será que nossos meninos estão preparados para ver o mundo sem véus? Sem os véus que ditam as regras da ciência cética e que olvida o novo e o desconhecido? Sem o véu das ideologias prontas, que costumam cortar os pés e as cabeças para que caibam na cama, como faria Procustes?

Será que tem como desenvolver a Fé dos Ateus? Sim, dos Ateus. Alguém duvida da fé dos Ateus? Ateus não são pessoas sem Fé. São pessoas que deixaram a crença pelo caminho, ou no mínimo, a sua crença pelo caminho se você julgar que somente tem salvação os que rezam na sua cartilha. Eu não sou Ateu. Porque eu acredito em Deus. Mas posso defender a não crença de outrem e manter minha certeza de que Ateus tem Fé. E lutar pelo direito de que eles a tenham, afinal são pessoas que podem dar respostas no mundo baseados na sua Fé.

Muitos cientistas são Ateus. O Grande Oscar Niemeyer era Ateu. E dizia invejar os que acreditavam em Deus e na espiritualidade porque eles os tinha como confortados com sua crença. Mas ascensos apenas se tivessem Fé. Nem toda crença leva à Fé. E nem toda Fé deriva de crença. Doutrinas não são assunto de Fé. Mas de elaborações particulares ou de pesquisas. São opções. Treinar a Fé é importante, mesmo diante da descrença.

(...) Boris Pasternak, autor de Dr. Jivago, escreveu: “ Sou um ateu que perdeu a fé”. Não há contradição aqui. O ateísmo igual as demais cosmovisões, é uma questão de fé.(...)

José Domingos em Exateus

Concordo com o articulista e com quem ele citou. Doutrinas e Fé são coisas diferentes.

Vejamos Teoria do Big Bang (grande explosão), as teorias de Oparin/Haldane  e a teoria da evolução de Charles Darwin. Muitos colocam sua vida a favor da explicação religiosa que parece ir contra as três teorias supracitadas. Mas, eu advogo, os religiosos lá sabem como Deus achou de criar as coisas? Querem impor algo não científico a Deus? Ora, Deus criou a ciência, não iria ir contra seus próprios desígnios. Por outro lado, os cientistas não precisam derrotar as convicções religiosas. Ambos devem manter a sua Fé. É com a Fé em seu próprio trabalho que a verdade emerge.

A Fé tem muitos conceitos e definições. Eu não me ocupo de como é sentida por religiosos, cientistas, filósofos, psicólogos. Mas, vejamos as múltiplas interpretações, para os que se perderem em meu texto poderem achar seu condomínio de pensamento.

Na filosofia existe a visão da ruptura entre razão e Fé. Sim, acham a maioria dos filósofos que Fé é crença religiosa. Eu não acho. Acho que a Fé coexiste entre a razão e a religião. Só que em assuntos diferentes.  Filósofos como Pitágoras, Heráclitos e Xenofánes desacreditavam na religião e, dessa forma, marcaram a ruptura entre razão e fé. Eu creio que combatiam a Fé cega da religião. Mas ai eu poderia traduzir, crença cega ao nível de Fé imorredoura. Aquela que nenhuma prova modificaria. Sim, por este prisma eu condeno a Fé cega da religião, mas também a da Ciência. Por exemplo, existe um  certo desconforto entre os cientistas de que a “hipótese” do Big Bang seja contrariada por alguns argumentos. Ora, não será forçando a comunidade a aceitar a “hipótese” que vamos torná-la verdadeira. 

Para a psicologia se a fé é definida como um ato de se acreditar em algo ou em alguém, o primeiro ponto a ser discutido é: qual a experiência humana que possibilita o homem crer, isto é, acreditar em alguém, ou acreditar em algo? A psicologia tende a preservar a Fé, seja como crença religiosa, seja como atitude outra diante da vida e de fatos. Apenas se houver alguma disfuncionalidade nesta crença, o psicólogo trata de aborda-la.

Para Albert Einstein:

“A ciência sem a religião é manca, a religião sem a ciência é cega”.

Observe que ele preserva as duas formas de ser ter uma verdade. O respeito na Fé alheia.

Quero dizer, portanto, que para mim é sumamente importante a Fé na capacidade de realizar neste mundo. De ler o mundo, de interpretá-lo. E isto não será com ideias simplistas.

Edgard Morin atesta que não é mais possível aceitar uma teoria que simplifique a realidade e fracione o conhecimento, impedindo uma visão mais completa e complexa da realidade e um caráter dialógico e interdisciplinar das ciências.

E como estamos a todo tempo sendo bombardeados por infinitas ideias e notícias e Histórias e mídias e assim só teremos tempo de pensar com a cabeça dos outros. Como “linkar” tudo isto e ter um pensamento próprio? Dai que eu vejo o que Edgard Morin fala.

Então é preciso fé no ser humano, para poder seguir. Quero que meus ex-alunos tenha a Fé que possam ensinar. Eu sou ainda muito ignorante.  Por isso peço a Deus,” aumente minha Fé”, seja lá como isso vai acontecer.

Vejam como está o mundo. As pessoas acreditavam em um mundo que está moendo-se aos nossos olhos. Podemos estar às vésperas de um conflito mundial, com perigo atômico e de extinção. Um sem número de crenças conflitantes, tanto religiosas quanto ideológicas.  E o que faremos  sem a Fé?  A Fé, aquela que nos propiciar pensar que temos em nós a capacidade de mudar o mundo. Com ciência, com palavras, com persuasão, com pensamentos e com visão.

Esta é a Fé, e não religião.  

Neste artigo que está na coluna de Metas da Ciência, eu não estou falando de Fé religiosa, mas sobre aprendizado daquilo que nos é dado saber, entre estas coisas, a ciência a ser descoberta e testada. Aprender não é apenas o conteúdo programático das escolas. Aprender é sentir, relacionar e decidir.  Aprender é interligar e interagir.

Em suas orientações Vigotski atesta que o sujeito nasce social e constrói sua individualidade-autonomia contando com uma série de mediações. Estas mediações devem ser trabalhadas pelo mestre. Ele é o mediador entre o sujeito e o objeto.

Assim finalizo:

“Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser cético”. Friedrich Nietzsche

 “O dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios e a humildade faz grandes homens”. Mahatma Gandhi

Sejamos humildes.

 

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